Lunares, lutando pela vida!!!

 

 

O TEATRO ESPÍRITA PODE SALVAR VIDAS

 

Desde pequeno convivo com fenômenos espirituais. Visões, objetos se mexendo, espíritos aparecendo para parentes atormentados, comunicações agressivas de espíritos, desdobramentos.
Com certeza, nada foi tão marcante como aquela aparição quando eu tinha quatorze anos de idade. Altas horas da noite, eu na cama de cima do beliche e aquela voz me chamando. Desperto e ao virar-me deparo com a figura de um espírito tremendamente deformado. Suas roupas eram rotas e seu rosto estava coberto de cicatrizes. Estranhamente, ao contrário de outras vezes, não me desesperei. Havia tanta tristeza naqueles olhos, tanta angústia, tanta miséria moral que me contive. Tudo nele falava de sua imensurável dor. Aos poucos, aquele pobre irmão desapareceu de minha visão espiritual, deixando um abismo de interrogações. Quem era ele? Por quê foi trazido até mim? Só obtive a resposta para estas perguntas quinze anos mais tarde quando comecei a incorporar suicidas em sessões mediúnicas. Aquele infeliz fora um suicida, daqueles que chamamos retalhados, tal o estado de deformidade do seu perispírito após o massacre das rodas do trem ao qual havia se atirado. Sinceramente, acredito que poucos espíritas realmente entendam como é o contato com estes infelizes e quanto sofre um médium para poder sintonizá-los. O encontro entre médium e espírito realiza-se nos domínios do que chamamos de choque. Quase sempre não há noção de momento real da parte deles para que ocorra uma doutrinação. Quase sempre só é possível um duro choque que os remeta a uma massacrante realidade.

Passam-se os anos e são muitas as incorporações. Homens e mulheres, jovens, maduros e velhos sucedem-se se apresentando enlouquecidos em suas tragédias. Há casos que vivi que não encontro palavras para narrar.

Podemos perguntar: Por que nós, os espíritas, conhecedores de tão catastrófica verdade, não fazemos algo para alertar os inúmeros incautos sobre as consequências de um suicídio? Por que esperá-los atrás de uma mesa, confinados às paredes de um centro, enquanto fora delas, o desconhecimento dos fatos pós-vida carnal arrasta multidões a autodestruição? Que discurso doutrinário seria capaz de remediar tão grave situação? Quantos anos e séculos de evolução um espírito perderá no minuto emocional, no instante mal pensado, na falta de Deus e na coragem para praticar a covardia extrema?

Foi pensando em fazer algo no campo da profilaxia que criamos em 1989 a Associação Lunares:

Formada por profissionais de diferentes áreas como Engenharia, Advocacia, Medicina, Marketing, Propaganda e Publicidade, Comércio Exterior, Educação Física, Contabilidade, etc. tem o principal objetivo de utilizar uma ferramenta poderosa: o teatro espírita de qualidade para levar aos mais diferentes públicos, informações sobre assuntos relevantes, e urgentes, como as conseqüências do suicídio para o espírito que o cometeu, leis de ação e reação, o que pode estar por trás de uma gravidez indesejada, prejuízos num aborto provocado, efeitos do uso de drogas para o espírito, entre outros temas não menos importantes.

A filosofia de trabalho da Associação baseia-se nos princípios da Programação Neurolinguística aplicados às técnicas modernas de dramaturgia. Todos os sentidos do indivíduo devem ser estimulados para que haja a possibilidade real de assimilação de informações. É a transmissão de conhecimentos apoiada na utilização do canal visual, auditivo e sinestésico da platéia. É a imagem dando suporte ao som e às outras sensações.

Um outro ponto muito importante é o fato de tratar-se de teatro espírita focado para espíritas e não espíritas. Neste caso advogamos a tese de que os conhecimentos mais relevantes da doutrina consoladora não podem e não devem ficar restritos aos centros e instituições espiritualistas. É importantíssimo criar instrumentos que exteriorizem tais informações para fora do meio, criando assim, condições para que os carentes das mesmas possam reavaliar suas posições de vida após o impacto de outras verdades. O teatro serve como espaço neutro. Muitas vezes é mais fácil atrair alguém para assistir uma peça no teatro da cidade do que atraí-lo para assistir uma palestra na casa espírita. Em nossas atividades isto tem funcionado bem. Há apresentações onde mais da metade da platéia não é espírita.

É importante ressaltar que as produções teatrais apresentadas nos mais diferentes teatros não são baseadas em livros e sim em relatos recebidos pelo canal mediúnico de alguns membros da Associação. Os espíritos que assessoram tais trabalhos, em sua grande maioria, foram profissionais das artes enquanto encarnados e as estórias são relatos daqueles que as viveram. Gostamos de dizer que somos um grupo encarnado pertencente à Legião dos Servos de Maria e é com o apoio desta maravilhosa falange que estamos trabalhando mundo afora na busca dos desesperados.

Outro ponto importante é que não temos fins lucrativos. A maioria do que arrecadamos na cobrança de ingressos - que são muito baratos – revertemos às instituições que possuem trabalho social. Não compactuamos com outros grupos que fazem do teatro espírita um nicho lucrativo do mercado cultural.

Neste ano estamos oferecendo dois trabalhos que focam o tema suicídio e aborto provocado: LUNARES que já foi assistido por mais de 15.000 pessoas e PORTAL DOS SONHOS que além de ser um grande sucesso de público, está sendo considerado por muitos, um dos trabalhos mais impressionantes e profundos já produzidos em se tratando de teatro espírita.

Assim, com muita luta e obstinação estamos conquistando ao longo dos anos credibilidade e respeito dos mais diferentes públicos, credenciando-nos como colaboradores verdadeiros na divulgação da terceira revelação apoiada na codificação de Kardec. Estamos tentando levar o consolador prometido àqueles que dele precisam acreditando no enorme potencial da emoção e que para alguém nós faremos a diferença.